20.10.06

Tatiando



De noites em noites, eu me desfaço em cortesias
Vindo de muito longe, errante
E como a lua, meticuloso

Cego, mudo ou surdo
Sei que tatiando
Crescentes fantasias

Me queixo de você
Está trapaceando
Me pondo em xeque, duvidoso

E numa minguante de olho
Eu ensaio aceno
Da cena que partia

Antes que fiques cheia de mim
Ou de si
Se preferir
Ir
Tatiando...

18.10.06

Sonhos

Costumam rotular sonhadores como pessoas que vivem no mundo da lua. Somente os que verdadeiramente sonharam com isso chegaram até lá.
Sonhos rasteiros nos nivelam por baixo. Sonhos elevados nos levam às alturas. Ausência de sonhos não nos levam. Sonhar é um exercício genial para o músculo da cabeça. Como todo músculo, se não usar, atrofia. Sublime, magnífico e incrível são adjetivos usados para os sonhos quando estes se tornam concretos, após terem sido chamados de loucura, idiotice e perda de tempo.

3.10.06

Noncircense

Três meses sem ver mundo, sem ver gente, se é que você me entende. Engarrafado e envelhecido num estúdio, o tempo todo era time code, o tempo todo era nós na fita sem desamarrar laços de coisa nenhuma. Era sempre eu diante da tela, e a vida passando que nem se via. Minha labuta era o meu cigarro, meu riso era um estalo, tudo lentamente sem filtro, e eu torcendo pelo corte rápido. Bem que podia ser um clip, e segurar a onda até o code final. Estava sempre atrás da moral, da história, e não rolava nada. Agora, essa tomada só vai fazer o currículo engrossar, pra Nêgo por aí ficar ligado na minha. Dá-lhe Nildão! As urnas eleitorárias só me lembram que a cada quatro anos um faraó é eleito, enrolado (!) com faixa de prefeito, de governo, pela direita, pela esquerda, e eu no meio do campo, no meio do trampo, fazendo vista pressa gente.
Depois de três meses, enfadado, agora no estudo. Vou colar grau! Aí então vocês vão ver...