21.7.06

DE SUPERMAN A CRISTO: COMO O PRIMEIRO AINDA ME ENCANTA E O SEGUNDO ME ARREBATA



Ainda lembro com riqueza de detalhes a primeira vez que assisti ao clássico Superman, O Filme, de Richard Donner. Minha tia estava então casada com o proprietário dos dois únicos cinemas de Juazeiro do Norte, a cidade encrustrada na bacia chamada Vale do Cariri.

Num instante, deixou a mim e minha prima Cristine na sala, e voltou com dois sacos de papel pardo cheios de balas e doces variados.
Além daquele dia, não lembro de ter estado num cinema antes.

As luzes se apagaram, a sala enegreceu. Aquele medo típico de criança diante do inusitado não me invadiu. A tela se iluminou toda com o clarão, era algo bem diferente das grandes salas de hoje em dia. Se passaram trailers, eu não lembro, mas as horas seguintes ficaram estampadas na mente pelo resto da vida. Só não consegui gravar minhas expressões e emoções tal como faço hoje, mas acredito que, pela qualidade das memórias, meus olhos ficaram presos, hipnotizados. Ficara vidrado naquela história impossível e mágica.


Terei saído do cinema saltitando como um bobo? Sonhava em voar como fazia a personagem?

Quando despenquei do varal da minha avó em que me segurava, e ganhei um talho na cabeça, o primeiro comentário foi: “Ele queria ser o Super-homem!”. Mas é claro que sim, e quem não queria? Mas não ali, não assim. Depois da experiência – de assistir ao filme, não da queda – ilustrei o filme inteiro em papel almaço, do tipo que não se vende mais. Encanto geral. Desenhara algo mais que uma bola com pauzinhos arremedando tronco, pernas e braços. Quase todo mundo insistiu com meu pai para que ele me inscrevesse a uma escola de artes, o que jamais aconteceu.

Se havia algum talento, foi aprimorado nas ruas, na banca de revistas usadas do Zé, ou comprando exemplares novos da economia dos trocos que nunca voltavam para o bolso do meu avô.


Vinte e quatro anos se passaram. O Superman ainda me encanta, mas encontrei um outro herói, real, que também não é deste mundo. Como Jor-El, seu Pai o enviou para salvação do mundo. O primeiro não podia interferir na história da humanidade. O segundo fez isso só pelo fato de ter nascido. O primeiro é admirado por todos. O segundo foi odiado a ponto de ser sacrificado. O primeiro vence a base de socos e superpoderes. O segundo pela força das palavras. O primeiro não se deixa vencer. O segundo se deixou vencer para que fôssemos feitos mais do que vencedores n'Ele. O primeiro existe apenas na imaginação coletiva. O segundo está VIVO, e habita dentro de mim!

14.7.06

por um sorriso só

A gente diz um punhado de palavras e um sorriso só bastaria
Bastaria um punhado de sorrisos para fazer raiar o dia
Um riso só pairaria sobre a gente em alegria
Se por um só ciso seu brilhasse euforia
No dia em que sol brilhasse a gente
Em que sol brilhasse a gente
Em que sol brilhasse
Sol a gente

11.7.06

A Trindade Indiscutível

Há uma corrente de pensamento bastante ampla que defende a máxima de que "religião, política e futebol não se discutem". Seus adeptos, na verdade, costumam ser pegos fazendo o oposto, usando do referido argumento para repelir qualquer ameaça às suas considerações.

Onde chegaríamos se não discutíssesmos abertamente questões polêmicas? Que progresso teríamos se evitássemos debates difíceis apenas por termos opiniões diferentes, preguiça ou preconceito? Como evoluiriam as ciências, como se fariam descobertas, como aconteceriam entendimentos? Falo de civilização, de se falar com bom trato, educação e polidez, utilizando a empatia, sabendo a hora de falar e de ouvir, enfim, como pessoas realmente interessadas em aprender e buscar a verdade.

Ah, a verdade... Parece um bem inalcançável, né? Uma utopia (nossa, uma mentira?). Será? Se crermos, por exemplo, que todas as coisas começaram em Um (em Deus), passam por Um e terminam em Um, então subentende-se que exista uma verdade: a d'Ele. Isso se você, que lê este post, acreditar que Deus exista.

Partindo do princípio de que existe Deus e existe verdade, então talvez nós é que não queiramos buscar essa verdade, para não desagradar alguns (lembrando que não se trata de imposição, pois nem Jesus, que afirmou ser o Caminho, a Verdade e a Vida não se impôs para que cressem n'Ele). Às vezes fugimos, relativisando tudo, pondo Deus à nossa mercê, transformando-O num Deus de conveniência, moldado a nossa imagem e semelhança.
Do "indiscutível" futebol fazemos torcida, nos colocamos de um lado e o defendemos; e da política, tomamos partido e no seu representante votamos. Em se tratando de Deus, um conceito mais universal, preferimos pulverizar.

Questões de fé se respeitam, mas também se conversam, se difundem, se investiga e se encontra resposta. Nenhum de nós deve julgar ter a última palavra em matéria da Divindade, mas é mister perguntar os por quês para que, enfim, a última Palavra seja d'Ele.

3.7.06

em dez linhas revelar
que de frente não posso mentir
que os olhos falam demais
que preferia me omitir
arroubos de amor, suspiros, ardor
é guardar no peito fornalha
feito trem a vapor
por fim dizer receio
bom senso me falha
"me rendo, desisto, sem jeito"