27.6.06

Universo Paralelo

Vez em quando eu cruzava a cidade, pelas ruas dos ilustres, indo pousar na tua casa. Fitas, rosários e santos pendiam na frente dela, entre céu e terra, e eu ali delirando.
Falava tarde inteira sobre os sonhos da última noite, dos vôos sobre campos verdes, planícies e clareiras.

Vez em quando os olhos escapavam pra ti, distraída. Pra ti, aliás, eu estava sempre viajando. Na visão que era tua, estava preso engaiolado. Mesmo gaiola aberta, me prendias no teu desleixo de menina.

Vez em quando emudecia. Era timidez que se soltava e ditava a hora da partida. Engasgava no adeus entre outras falas, mudas ficavam, e por fim, as engolia. Quando céu escurecia, brisa me levava a sonhar, a amar, fugaz, e peregrinar de novo.

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